quarta-feira, 30 de setembro de 2026

A importância do voto — a democracia agradece, o eleitor nem sempre

Eleição chega, candidato promete mudar o país e o eleitor descobre, mais uma vez, que aquele pequeno pedaço de papel — ou alguns cliques na urna — pode determinar quem passará os próximos anos tomando decisões com dinheiro público.



O voto é apresentado como um dos principais instrumentos de participação política. E realmente é. Por meio dele, o cidadão escolhe representantes que terão o privilégio — e a responsabilidade — de decidir sobre leis, impostos, orçamento e políticas públicas.


É curioso, portanto, que algumas pessoas dediquem mais tempo escolhendo o modelo do próximo celular do que pesquisando quem pretende ocupar um cargo político durante quatro anos. Afinal, o celular pode travar, descarregar e ser substituído. Já um político eleito pode continuar produzindo consequências mesmo quando o eleitor já descobriu que a promessa de campanha tinha a mesma consistência de um panfleto molhado.


Durante a campanha, candidatos distribuem propostas com a generosidade de quem encontrou uma máquina de fabricar dinheiro. Saúde, educação, segurança, emprego, infraestrutura e redução de impostos aparecem frequentemente no cardápio eleitoral. Tudo parece possível, barato e, convenientemente, urgente.


Depois da eleição, começa a segunda temporada da série: “Eu não votei nele.”


O curioso é que, quando chega a conta das decisões políticas, surge uma quantidade impressionante de cidadãos que aparentemente estavam apenas passando pela seção eleitoral por acaso.



O voto é apresentado como um dos principais instrumentos de participação política. E realmente é. Por meio dele, o cidadão escolhe representantes que terão o privilégio — e a responsabilidade — de decidir sobre leis, impostos, orçamento e políticas públicas.


É curioso, portanto, que algumas pessoas dediquem mais tempo escolhendo o modelo do próximo celular do que pesquisando quem pretende ocupar um cargo político durante quatro anos. Afinal, o celular pode travar, descarregar e ser substituído. Já um político eleito pode continuar produzindo consequências mesmo quando o eleitor já descobriu que a promessa de campanha tinha a mesma consistência de um panfleto molhado.


Durante a campanha, candidatos distribuem propostas com a generosidade de quem encontrou uma máquina de fabricar dinheiro. Saúde, educação, segurança, emprego, infraestrutura e redução de impostos aparecem frequentemente no cardápio eleitoral. Tudo parece possível, barato e, convenientemente, urgente.


Depois da eleição, começa a segunda temporada da série: “Eu não votei nele.”


O curioso é que, quando chega a conta das decisões políticas, surge uma quantidade impressionante de cidadãos que aparentemente estavam apenas passando pela seção eleitoral por acaso.


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E o leitor, vai apenas reclamar ou vai participar?

Se você chegou até aqui, já descobriu que escolher representantes por alguns segundos pode produzir consequências que duram anos.


Mas existe outra forma de participação: acompanhar e apoiar — ou não — as ideias legislativas que chegam ao Senado.


Está em discussão uma proposta que defende uma “quarentena partidária” de 10 anos para pessoas filiadas a partidos políticos que pretendam ocupar determinados cargos públicos preenchidos por indicação política. A proposta pretende alcançar, entre outros, cargos do Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública, Tribunais de Contas e conselhos previstos na Constituição.


A ideia é simples de entender e importante de discutir: até que ponto uma pessoa que teve vínculo partidário recente deveria poder ocupar um cargo cuja atuação exige independência institucional?


Há argumentos favoráveis e questões jurídicas que também precisam ser examinadas. Uma mudança desse alcance envolveria a própria Constituição e precisaria respeitar as regras constitucionais aplicáveis, além de definir com precisão quais cargos e situações seriam abrangidos.


No Portal e-Cidadania do Senado, o cidadão pode consultar a proposta e registrar seu apoio. Uma Ideia Legislativa precisa alcançar 20 mil apoios em até quatro meses para ser encaminhada à Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa, onde será analisada pelos senadores. Isso não significa aprovação automática: significa que a proposta passa a ter uma etapa formal de análise.


Portanto, antes de apertar qualquer botão, vale fazer aquilo que aparentemente ficou fora de moda: ler, pesquisar, questionar e decidir por conta própria.


Porque democracia tem uma característica curiosa: reclamar depois é permitido, mas participar antes também é.


Conheça a proposta, avalie os argumentos e, se entender que ela merece apoio, registre seu voto no e-Cidadania.


Deixe sua opinião nos comentários.


Obrigado.

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