quarta-feira, 30 de setembro de 2026

China descobre que até o boi brasileiro tem limite - muuuuuuu

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PEQUIM e BRASÍLIA — Depois de comprar carne bovina brasileira em ritmo digno de quem descobriu uma promoção imperdível no açougue, a China decidiu avisar que a festa tem limite.

A partir desta quinta-feira, 1º de outubro de 2026, a carne bovina brasileira que ultrapassar a cota anual de 1,1 milhão de toneladas passará a enfrentar uma sobretaxa de 55%. Somada à tarifa regular de 12%, a conta chega a 67%.


A medida foi acionada automaticamente após o Brasil conseguir a proeza de esgotar a cota antes de o ano acabar. Afinal, aparentemente, até o comércio internacional possui aquele velho mecanismo conhecido no Brasil como: “acabou, irmão”.


E não adianta insistir.




A salvaguarda chinesa permanecerá em vigor até o fim de 2028, transformando cada tonelada excedente em uma espécie de churrasco diplomático: caro para quem compra e complicado para quem vende.


Brasília tentou salvar o churrasco

O governo brasileiro ainda tentou negociar uma solução de última hora. A ideia era aproveitar parte da cota que o Uruguai não havia utilizado, numa operação que, em resumo, seria algo parecido com:


“Já que sobrou espaço na churrasqueira do vizinho, podemos colocar alguns espetinhos nossos ali?”


A resposta de Pequim foi não.


E assim termina mais uma tentativa brasileira de resolver um problema internacional com criatividade administrativa.


 O boi agora procura novos amigos

Com a porta chinesa parcialmente fechada para o excedente, frigoríficos brasileiros deverão procurar outros mercados para acomodar a produção.


O principal candidato é justamente o mercado americano.


Ou seja: o boi brasileiro, que até ontem estava fazendo carreira internacional rumo à China, agora terá de atualizar o currículo e mandar mensagem para Washington.


“Olá, EUA. Tenho experiência em exportação, aceito negociar e posso começar imediatamente.”



 E a carne vai ficar barata no Brasil?

Calma.


Se alguém já estava comemorando a possibilidade de finalmente comprar picanha pelo preço de frango, pode guardar o espumante.


A redução das exportações para a China não significa automaticamente carne mais barata no supermercado brasileiro.


Um dos motivos é a própria composição da demanda chinesa. O país compra principalmente cortes dianteiros, enquanto boa parte do mercado brasileiro trabalha com outra dinâmica de consumo e valorização dos cortes.


Além disso, o boi gordo continua valorizado no mercado físico brasileiro, o que reduz a possibilidade de uma queda brusca dos preços simplesmente porque uma parte das exportações encontrou uma barreira tarifária.


Em outras palavras: o consumidor brasileiro pode até ouvir a notícia de que a China colocou 55% a mais na conta.


Mas isso não significa que o açougue vai responder:


“Excelente notícia! Hoje é picanha em promoção porque Pequim está de mau humor.”


 A ironia da história

Durante anos, a expansão das exportações brasileiras foi celebrada como demonstração da força do agronegócio nacional.


Agora, o sucesso virou justamente o problema: o Brasil vendeu tanto para a China que bateu no teto da própria cota.


É a versão internacional do clássico dilema brasileiro:


“Deu tão certo que agora deu errado.”



A partir de outubro, portanto, o boi brasileiro continuará andando pelo mundo.


Só precisará tomar cuidado para não ultrapassar a faixa de pedestres diplomática.


E, principalmente, para não descobrir que existe uma coisa mais cara que a picanha:


a picanha com 55% de sobretaxa.



Deixe seu comentário e compartilhe com aquele amigo que acha que vai ficar rico recebendo auxílio do governo.


A importância do voto — a democracia agradece, o eleitor nem sempre

Eleição chega, candidato promete mudar o país e o eleitor descobre, mais uma vez, que aquele pequeno pedaço de papel — ou alguns cliques na urna — pode determinar quem passará os próximos anos tomando decisões com dinheiro público.



O voto é apresentado como um dos principais instrumentos de participação política. E realmente é. Por meio dele, o cidadão escolhe representantes que terão o privilégio — e a responsabilidade — de decidir sobre leis, impostos, orçamento e políticas públicas.


É curioso, portanto, que algumas pessoas dediquem mais tempo escolhendo o modelo do próximo celular do que pesquisando quem pretende ocupar um cargo político durante quatro anos. Afinal, o celular pode travar, descarregar e ser substituído. Já um político eleito pode continuar produzindo consequências mesmo quando o eleitor já descobriu que a promessa de campanha tinha a mesma consistência de um panfleto molhado.


Durante a campanha, candidatos distribuem propostas com a generosidade de quem encontrou uma máquina de fabricar dinheiro. Saúde, educação, segurança, emprego, infraestrutura e redução de impostos aparecem frequentemente no cardápio eleitoral. Tudo parece possível, barato e, convenientemente, urgente.


Depois da eleição, começa a segunda temporada da série: “Eu não votei nele.”


O curioso é que, quando chega a conta das decisões políticas, surge uma quantidade impressionante de cidadãos que aparentemente estavam apenas passando pela seção eleitoral por acaso.



O voto é apresentado como um dos principais instrumentos de participação política. E realmente é. Por meio dele, o cidadão escolhe representantes que terão o privilégio — e a responsabilidade — de decidir sobre leis, impostos, orçamento e políticas públicas.


É curioso, portanto, que algumas pessoas dediquem mais tempo escolhendo o modelo do próximo celular do que pesquisando quem pretende ocupar um cargo político durante quatro anos. Afinal, o celular pode travar, descarregar e ser substituído. Já um político eleito pode continuar produzindo consequências mesmo quando o eleitor já descobriu que a promessa de campanha tinha a mesma consistência de um panfleto molhado.


Durante a campanha, candidatos distribuem propostas com a generosidade de quem encontrou uma máquina de fabricar dinheiro. Saúde, educação, segurança, emprego, infraestrutura e redução de impostos aparecem frequentemente no cardápio eleitoral. Tudo parece possível, barato e, convenientemente, urgente.


Depois da eleição, começa a segunda temporada da série: “Eu não votei nele.”


O curioso é que, quando chega a conta das decisões políticas, surge uma quantidade impressionante de cidadãos que aparentemente estavam apenas passando pela seção eleitoral por acaso.


Clique no link e vote


E o leitor, vai apenas reclamar ou vai participar?

Se você chegou até aqui, já descobriu que escolher representantes por alguns segundos pode produzir consequências que duram anos.


Mas existe outra forma de participação: acompanhar e apoiar — ou não — as ideias legislativas que chegam ao Senado.


Está em discussão uma proposta que defende uma “quarentena partidária” de 10 anos para pessoas filiadas a partidos políticos que pretendam ocupar determinados cargos públicos preenchidos por indicação política. A proposta pretende alcançar, entre outros, cargos do Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública, Tribunais de Contas e conselhos previstos na Constituição.


A ideia é simples de entender e importante de discutir: até que ponto uma pessoa que teve vínculo partidário recente deveria poder ocupar um cargo cuja atuação exige independência institucional?


Há argumentos favoráveis e questões jurídicas que também precisam ser examinadas. Uma mudança desse alcance envolveria a própria Constituição e precisaria respeitar as regras constitucionais aplicáveis, além de definir com precisão quais cargos e situações seriam abrangidos.


No Portal e-Cidadania do Senado, o cidadão pode consultar a proposta e registrar seu apoio. Uma Ideia Legislativa precisa alcançar 20 mil apoios em até quatro meses para ser encaminhada à Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa, onde será analisada pelos senadores. Isso não significa aprovação automática: significa que a proposta passa a ter uma etapa formal de análise.


Portanto, antes de apertar qualquer botão, vale fazer aquilo que aparentemente ficou fora de moda: ler, pesquisar, questionar e decidir por conta própria.


Porque democracia tem uma característica curiosa: reclamar depois é permitido, mas participar antes também é.


Conheça a proposta, avalie os argumentos e, se entender que ela merece apoio, registre seu voto no e-Cidadania.


Deixe sua opinião nos comentários.


Obrigado.